{"id":10874,"date":"2022-10-21T06:00:00","date_gmt":"2022-10-21T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/click-delphi.com.br\/portal\/novo-sistema-de-manejo-do-maracuj-contra-virose-necessrio\/"},"modified":"2022-10-21T06:00:00","modified_gmt":"2022-10-21T09:00:00","slug":"novo-sistema-de-manejo-do-maracuj-contra-virose-necessrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/click-delphi.com.br\/portal\/novo-sistema-de-manejo-do-maracuj-contra-virose-necessrio\/","title":{"rendered":"Novo sistema de manejo do maracuj contra virose  necessrio"},"content":{"rendered":"<p>O manejo do maracujazeiro, importante cultura frut\u00edfera no Paran\u00e1, passou recentemente por mudan\u00e7as para minimizar os estragos causados por uma virose, detectada h\u00e1 alguns anos. A constata\u00e7\u00e3o de que o v\u00edrus CABMV (sigla em ingl\u00eas para \u201cv\u00edrus do mosaico do caup\u00ed\u201d) havia chegado ao Estado aconteceu durante um curso do SENAR-PR realizado na regi\u00e3o Noroeste. Na ocasi\u00e3o, os instrutores da entidade ministravam uma aula quando constataram estranhas les\u00f5es na planta.    \u201cDetectamos a presen\u00e7a durante a primeira forma\u00e7\u00e3o do curso de maracuj\u00e1, em 2015. Durante uma visita a uma propriedade, um dos participantes identificou plantas infectadas e orientou que a gente encaminhasse amostras para an\u00e1lise em laborat\u00f3rio\u201d, conta a instrutora do SENAR-PR Beatriz Meira. \u201cAs duas amostras enviadas ao laborat\u00f3rio voltaram com [diagn\u00f3stico] positivo para o CABMV. Ficamos perdidos na hora porque era uma doen\u00e7a que ainda n\u00e3o conhec\u00edamos muito bem\u201d, relata a profissional.    Diante da novidade, Beatriz e outros instrutores foram em busca de mais informa\u00e7\u00e3o sobre a doen\u00e7a. Para isso, contataram especialistas do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paran\u00e1 (IDR-PR) e foram conhecer mais sobre a doen\u00e7a junto a produtores de Presidente Prudente, no Estado de S\u00e3o Paulo, que j\u00e1 enfrentavam a virose h\u00e1 mais tempo. \u201cN\u00f3s constatamos que a melhor forma de tratamento era a erradica\u00e7\u00e3o da lavoura doente\u201d, relata a instrutora.    Em condi\u00e7\u00f5es normais, o maracujazeiro \u00e9 uma cultura semiperene, isto \u00e9, os mesmos pomares podem continuar produzindo ao longo de tr\u00eas ou quatro anos consecutivos. Sob a influ\u00eancia do CABMV, as plantas devem ser erradicadas anualmente sob pena de perdas severas de produ\u00e7\u00e3o.    \u201cO estrago \u00e9 grande. Tivemos \u00e1reas com problemas nutricionais onde as perdas foram de 100%\u201d, afirma o coordenador de fruticultura do IDR-PR, Eduardo dos Santos, que acompanhou o processo desde o in\u00edcio.    Segundo o profissional, a virose entrou no Paran\u00e1 em 2004, mas s\u00f3 em 2014 que come\u00e7ou a trazer problemas aos produtores de maracuj\u00e1. \u201cDois anos depois [do v\u00edrus chegar \u00e0 \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o da cooperativa] houve uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica na produtividade. Em 2021 conseguimos voltar a produzir o mesmo volume de antes\u201d, afirma Santos. O segredo dessa retomada, segundo ele, foi a ado\u00e7\u00e3o do novo manejo da fruta.    Manejo certo    O CABMV \u00e9 transmitido pela picada do pulg\u00e3o, que leva o v\u00edrus de uma planta infectada para outra saud\u00e1vel. Segundo Santos, o sistema de manejo capaz de enfrentar esse problema consiste em levar mudas maiores e, portanto, mais fortes e resistentes, para o campo. Se antes as mudas saiam com at\u00e9 30 cent\u00edmetros do viveiro para o pomar, hoje devem ter pelo menos 1,5 metro de altura. \u201cA estrat\u00e9gia \u00e9 esse manejo cultural, com as mudas maiores, e uma aten\u00e7\u00e3o especial na parte nutricional da planta\u201d, explica o coordenador. \u201cSe a planta come\u00e7ou a florescer, ent\u00e3o a doen\u00e7a j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais problema. Basta ir controlando com a nutri\u00e7\u00e3o at\u00e9 o final do ciclo\u201d, completa.    No caso do fruticultor Jos\u00e9 Luiz de Oliveira, de Jandaia do Sul, o plantio do maracujazeiro j\u00e1 come\u00e7ou sob este novo sistema de manejo. \u201cPlantei uns p\u00e9s h\u00e1 uns quatro anos para ver e acabei gostando. Quando comecei, o pessoal j\u00e1 falava que n\u00e3o dava para plantar duas vezes na mesma \u00e1rea, que entrava virose\u201d, lembra.    Com experi\u00eancia no cultivo de uvas, Oliveira aproveitou a mesma estrutura em que cultivava as parreiras para conduzir o maracuj\u00e1. \u201cTem que plantar e erradicar todo ano, n\u00e3o cheguei a pegar a fase em que rebrotava por dois at\u00e9 tr\u00eas anos\u201d, conta.    Com essa estrat\u00e9gia de levar as mudas mais desenvolvidas para o campo e erradicar os pomares anualmente, Oliveira vem obtendo uma produtividade m\u00e9dia de 3,5 caixas (12 quilos) de maracuj\u00e1 por p\u00e9, o que representa um bom desempenho. \u201cAs frutas que ficam um pouco menores eu tiro para fazer polpa, n\u00e3o perco nada\u201d, afirma o produtor, que ainda mant\u00e9m uma pequena \u00e1rea com uvas.    De acordo com Santos, do IDR-PR, a erradica\u00e7\u00e3o dos pomares de maracuj\u00e1 funciona como um vazio sanit\u00e1rio para frear a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. \u201c\u00c9 um per\u00edodo de 20 a 30 dias sem plantas na lavoura, enquanto a muda est\u00e1 protegida do pulg\u00e3o que transmite o v\u00edrus no viveiro. Esse vazio ocorre normalmente no final da safra, entre julho e agosto, de acordo com cada regi\u00e3o. Acabou de colher, j\u00e1 pode fazer\u201d, ensina.    A instrutora do SENAR-PR recorda que quando passaram a ser levadas a campo, essas orienta\u00e7\u00f5es encontraram resist\u00eancia por parte de produtores tradicionais da fruta. \u201cOs produtores n\u00e3o foram muito receptivos a essa recomenda\u00e7\u00e3o\u201d, recorda Beatriz. Essa postura, segundo ela, pode ter acelerado a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a no Estado. \u201cAcredito que acabaria contaminando [outras regi\u00f5es do Estado], mas n\u00e3o com a rapidez como aconteceu\u201d, observa. \u201cVimos \u00e1reas infectadas a uma dist\u00e2ncia de 30 quil\u00f4metros do foco. O fato de o produtor n\u00e3o conhecer a biologia e a forma de dissemina\u00e7\u00e3o faz com que subestime o v\u00edrus. Por isso tem que fazer curso, treinamento, para entender o procedimento\u201d, avalia Santos.    Nesse sentido, o papel do SENAR-PR \u00e9 estrat\u00e9gico. \u201cA partir da confirma\u00e7\u00e3o de que o v\u00edrus estava presente nos pomares, os produtores buscaram um sistema de produ\u00e7\u00e3o que pudesse enfrentar esse novo cen\u00e1rio. Foi a partir disso que elaboramos o novo curso de maracujazeiro do SENAR-PR, no qual ensinamos como conviver com a virose e ainda obter uma alta produtividade. O produtor aprende a escolher a cultivar adequada, fazer o manejo de nutri\u00e7\u00e3o, irriga\u00e7\u00e3o, manejo das mudas, levando na altura correta para o campo, e aprende a identificar os sintomas da virose, para saber se ela existe no seu pomar ou n\u00e3o\u201d, observa a t\u00e9cnica do Departamento T\u00e9cnico (Detec) do Sistema FAEP\/SENAR-PR Vanessa Reinhart. \u201cOutra parte importante do curso \u00e9, ao final do ciclo, fazer a erradica\u00e7\u00e3o das plantas para que a virose n\u00e3o sobreviva de um ciclo para o outro, n\u00e3o fique indo de um vizinho para o outro e n\u00e3o saia daquela \u00e1rea\u201d, complementa.    O curso \u201cMaracujazeiro\u201d do SENAR-PR passou por uma reformula\u00e7\u00e3o para contemplar o controle do CABMV e, em breve, estar\u00e1 dispon\u00edvel para os fruticultores do Estado.    Fonte: Sistema FAEP  \t\t\t \t\t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O manejo do maracujazeiro, importante cultura frut\u00edfera no Paran\u00e1, passou recentemente por mudan\u00e7as para minimizar os estragos causados por uma virose, detectada h\u00e1 alguns anos. 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