{"id":10858,"date":"2022-10-21T02:00:00","date_gmt":"2022-10-21T05:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/click-delphi.com.br\/portal\/rock-mpb-funk-sertanejo-e-at-ax-saiba-como-estudar-histria-com-msica-para-o-enem\/"},"modified":"2022-10-21T02:00:00","modified_gmt":"2022-10-21T05:00:00","slug":"rock-mpb-funk-sertanejo-e-at-ax-saiba-como-estudar-histria-com-msica-para-o-enem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/click-delphi.com.br\/portal\/rock-mpb-funk-sertanejo-e-at-ax-saiba-como-estudar-histria-com-msica-para-o-enem\/","title":{"rendered":"Rock, MPB, funk, sertanejo e at ax; saiba como estudar histria com msica para o Enem"},"content":{"rendered":"<p>                                            \t        \tSabia que \u00e9 poss\u00edvel estudar a disciplina de hist\u00f3ria com m\u00fasica? Estilos como\u00a0Rock, MPB (M\u00fasica Popular Brasileira), funk, sertanejo e ax\u00e9 podem contribuir na hora de &#8216;relaxar&#8217; durante os estudos. Confira as dicas dadas por Mirtes Timpanaro, coordenadora de hist\u00f3ria do Col\u00e9gio Rio Branco e de Guilherme Pra\u00e7a,\u00a0professor de hist\u00f3ria graduado e mestre pela UERJ(Universidade Estadual do Rio de Janeiro).    \tTimpanaro destaca uma frase dita pelo\u00a0historiador Jos\u00e9 Geraldo Vinci da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo): &#8220;a m\u00fasica faz parte do universo humano, da cultura humana, e obviamente influencia os modos de vida e as rela\u00e7\u00f5es sociais dos que est\u00e3o \u00e0 sua volta; e a sociedade, por outro lado, est\u00e1 construindo a m\u00fasica a todo momento, reconstruindo e pensando&#8221;. \u00c9 a partir das reflex\u00f5es do historiador, que a coordenadora indica cinco dicas para como pensar a m\u00fasica como um bom instrumento de estudos para o Enem (Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio):     \t      \t1). Entenda a import\u00e2ncia das quest\u00f5es trabalhistas de Vargas e sobretudo o per\u00edodo do Estado Novo com a exist\u00eancia do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda). &#8220;\u00c9 fazer uma compara\u00e7\u00e3o entre a m\u00fasica original de O Bonde de S\u00e3o Janu\u00e1rio, e a mesma m\u00fasica s\u00f3 que agora modificada pela a\u00e7\u00e3o da censura&#8221;, reflete. Veja o exemplo:    \tOriginalmente a letra dizia o seguinte:  \t\u201cO bonde de S\u00e3o Janu\u00e1rio\/ Leva mais um s\u00f3cio ot\u00e1rio\/ S\u00f3 eu n\u00e3o vou trabalhar\u201d.  \tAp\u00f3s passar pelos olhos do DIP ela ficou assim:  \t\u201cO bonde de S\u00e3o Janu\u00e1rio \/ Leva mais um oper\u00e1rio \/ Sou eu que vou trabalhar\u201d.    \t&#8220;Se antes o samba exaltava a figura do malandro, agora com Vargas, o malandro deixa de existir, se &#8216;regenera&#8217; e vai trabalhar, como deve ser em um regime totalit\u00e1rio em que o trabalho \u00e9 preconizado pelo governo. Como cantar o contr\u00e1rio?&#8221;, comenta Timpanaro.    \t2). Para se pensar a pol\u00edtica do per\u00edodo democr\u00e1tico (1946-1964),\u00a0conhe\u00e7a os jingles pol\u00edticos e as marchinhas que caracterizavam este ou aquele candidato. &#8220;As marchinhas das campanhas de Dutra, Vargas, Juscelino e J\u00e2nio&#8221;, exemplifica.    \t3). No per\u00edodo de 1964 a 1985, na perspectiva das propagandas a favor do regime, as m\u00fasicas ufanistas nos revelam o tipo de mensagem que agradava aos militares.    \t\u201cEste \u00c9 Um Pa\u00eds Que Vai Pra Frente\u201d, gravada pelo grupo Os Incr\u00edveis e Eu Te Amo Meu Brasil Eu Te Amo de Dom e Ravel, s\u00e3o bons exemplos do sentimento ufanista desejado e incentivado pelo governo.    \t\u201cEste \u00e9 um pa\u00eds que vai pra frente \/ Oh, oh, oh, oh, oh, oh \/ De uma gente amiga e t\u00e3o contente \/ Oh, oh, oh, oh, oh, oh \/ Este \u00e9 um pa\u00eds que vai pra frente \/ De um povo unido de grande valor \/ \u00c9 um pa\u00eds que canta trabalha e se agiganta \/ \u00c9 o Brasil do nosso amor.\u201d  \t\u201cEste \u00c9 Um Pa\u00eds Que Vai Pra Frente\u201d    \t&#8220;M\u00fasicas como essa, tocadas exaustivamente nas r\u00e1dios, simbolizavam um pa\u00eds sem problemas, feliz, alegre, pronto para, atrav\u00e9s do trabalho, se agigantar e ocupar os pontos mais altos da pol\u00edtica internacional&#8221;, diz Timpanaro.    \tMas segundo a coordenadora, o Brasil da d\u00e9cada de 70, p\u00f3s AI-5 (Ato Institucional n\u00ba 5), por tr\u00e1s de toda propaganda existia um pa\u00eds proibido de sentir, de falar e de se posicionar. &#8220;A resposta a toda essa proibi\u00e7\u00e3o veio com as m\u00fasicas de protesto desse mesmo per\u00edodo&#8221;, comenta.    \t4). Algumas letras musicais da MPB (M\u00fasica Popular Brasileira) foram escritas, para dizer sem ser percebido. &#8220;Era para burlar a censura que a tudo proibia, para denunciar a exist\u00eancia de um governo antidemocr\u00e1tico&#8221;, comenta.    \tM\u00fasicas como: C\u00e1lice, Apesar de voc\u00ea, O b\u00eabado e a equilibrista, Maninha, N\u00e3o chore mais, Como nossos pais\u00a0entre outras tantas, &#8220;servem para entender como a arte pode trabalhar \u00e0 favor da beleza e da liberdade. Ouvir essas m\u00fasicas conhecendo os artigos do AI 5 faz todo o sentido&#8221;, avalia Timpanaro.    \t5). As bandas de rock brasileiro dos anos 80, nascidas entre o fim da ditadura civil-militar e o in\u00edcio na redemocratiza\u00e7\u00e3o do Brasil, conversam amplamente com a sociedade brasileira daquele per\u00edodo. &#8220;Bar\u00e3o Vermelho, Paralamas, Legi\u00e3o Urbana, Plebe Rude, Tit\u00e3s\u2026 Nasceram nos anos 80 e entraram nos anos 90 numa discuss\u00e3o sobre a juventude e a pol\u00edtica do momento&#8221;, lembra.    \tAinda de acordo com Timpanaro, m\u00fasicas como Brasil, Que pa\u00eds \u00e9 esse?, Gera\u00e7\u00e3o Coca-Cola\u00a0 e Comida\u00a0 escritas entre o final dos anos 70 e na d\u00e9cada de 80, chamam a aten\u00e7\u00e3o para um olhar sobre a juventude brasileira, suas caracter\u00edsticas, suas possibilidades de a\u00e7\u00e3o, e suas reivindica\u00e7\u00f5es sociais, dentro de um quadro pol\u00edtico nacional em amplo movimento: as Diretas J\u00e1! em 1984, a elei\u00e7\u00e3o de Tancredo Neves em 1985, a Constitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 promulgada em 1988, a primeira elei\u00e7\u00e3o direta para presidente em 1989.     \t      \tPara o professor Guilherme, v\u00e1rias quest\u00f5es nos \u00faltimos anos abordaram a import\u00e2ncia de patrim\u00f4nios hist\u00f3ricos e culturais para comunidades ao redor do Brasil, sobretudo utilizando as festas populares e os g\u00eaneros musicais como objetos de estudo. &#8220;Nesses casos, ao se preparar para o exame \u00e9 fundamental que o vestibulando tenha um bom conhecimento sobre a diversidade cultural brasileira, conseguindo compreender a import\u00e2ncia da m\u00fasica popular para a forma\u00e7\u00e3o das identidades locais&#8221;, comenta.    \tAinda segundo o professor de hist\u00f3ria, ritmos como o funk, o forr\u00f3, o ax\u00e9 e o sertanejo, por exemplo, n\u00e3o s\u00e3o apenas \u201cestilos musicais que dependem do gosto\u201d, mas est\u00e3o conectados com aspectos culturais de algumas regi\u00f5es e s\u00e3o instrumentos de resist\u00eancia \u00e0s mudan\u00e7as for\u00e7adas e aos diversos tipos de preconceitos. &#8220;N\u00e3o precisa conhecer todas as letras de cor, mas sim compreender a import\u00e2ncia hist\u00f3rica desse patrim\u00f4nio para a manifesta\u00e7\u00e3o da voz de grupos sociais oprimidos e silenciados nas favelas&#8221;, explica.    \t&#8220;O mesmo pode ser observado na m\u00fasica sertaneja, que h\u00e1 d\u00e9cadas exalta um Brasil do interior e seus problemas sociais, ou mesmo na rela\u00e7\u00e3o entre o ax\u00e9 e a resist\u00eancia das religi\u00f5es de matriz africana na Bahia&#8221;, diz Pra\u00e7a.    \tOu\u00e7a uma m\u00fasica e a pense como uma fonte hist\u00f3rica    \tPara Pra\u00e7a, da antiguidade ao mundo contempor\u00e2neo podemos observar essa rela\u00e7\u00e3o entre m\u00fasica e hist\u00f3ria, mas a prova destaca principalmente os s\u00e9culos 20 e 21 em suas quest\u00f5es. &#8220;Um dos temas mais recorrentes que utiliza a m\u00fasica como fonte e texto de apoio \u00e9 o da Ditadura Militar, principalmente atrav\u00e9s das can\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia. Em 2021, o Enem trouxe a m\u00fasica Admir\u00e1vel gado novo, do Z\u00e9 Ramalho, para pensar sobre o contexto pol\u00edtico durante a Ditadura&#8221;, destaca.    \tOutro ponto destacado por ele \u00e9 que todos os anos as escolas de samba, lan\u00e7am seus sambas-enredo com letras que se tornam grandes hinos populares, exaltando aspectos principalmente da Hist\u00f3ria do Brasil e da \u201chist\u00f3ria que a hist\u00f3ria n\u00e3o conta\u201d, como diz o samba da Mangueira. &#8220;Muito al\u00e9m da festa e divers\u00e3o que nos proporcionam, os sambas trazem reflex\u00f5es important\u00edssimas sobre a hist\u00f3ria do Brasil que podem nos ajudar muito para o Enem&#8221;, finaliza.     \t        \tA influenciadora digital\u00a0D\u00e9bora Aladim, possui mais de 1 milh\u00e3o de seguidores no Instagram. A jovem \u00e9 formada em hist\u00f3ria pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e esclarece que na reta final de estudo o foco deve estar nos exerc\u00edcios. &#8220;Algo que vai ajudar muito s\u00e3o exerc\u00edcios comentados: tem v\u00e1rios v\u00eddeos no YouTube de professores resolvendo a prova do Enem e explicando o racioc\u00ednio e auxiliam o aluno a compreender melhor a mat\u00e9ria&#8221;, conta.    \tPara ela, a\u00a0maior parte da prova de hist\u00f3ria do Enem \u00e9 Hist\u00f3ria do Brasil. Desde a coloniza\u00e7\u00e3o at\u00e9 a atualidade. &#8220;Mas recomendo focar em Brasil Col\u00f4nia e Imp\u00e9rio, que tem sido bastante recorrentes nos \u00faltimos anos&#8221;, comenta.    \tUm alerta feito pela influenciadora aos vestibulandos desse ano se d\u00e1 respeito ao descanso. &#8220;Isso porque estudar na v\u00e9spera muitas vezes causa o efeito inverso do esperado: o aluno v\u00ea quanto conte\u00fado tem e quanta coisa ele n\u00e3o estudou e fica ansioso logo antes do grande dia. Eu prefiro evitar todo tipo de p\u00e2nico e descansar a mente, at\u00e9 porque ser\u00e3o muitas horas de prova&#8221;, avalia.     \t     \t*Estagi\u00e1rio do R7 sob supervis\u00e3o de Karla Dunder     \t                                                   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sabia que \u00e9 poss\u00edvel estudar a disciplina de hist\u00f3ria com m\u00fasica? 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